MANEJO ÉTICO DE CAPIVARAS

MANEJO ÉTICO DE CAPIVARAS

Desde 2011 a ZOOVET CONSULTORIA realiza o manejo reprodutivo ético de capivaras em condomínio em MG, com redução de aproximadamente 70% da sua população em 4 anos.

Chega ao fim mais uma etapa do Manejo Ético de Capivaras realizado pela ZOOVET CONSULTORIA no Condomínio Nossa Fazenda, em Esmeraldas-MG. A empresa é pioneira na iniciativa privada neste tipo de manejo no Brasil, tendo já capturado e manejado mais de 300 animais de vida livre.

A técnica utilizada pela ZOOVET difere da já utilizada com sucesso pelos técnicos da UFV, onde foram esterilizados machos e fêmeas. Optamos por esterilizar apenas os machos, pela técnica da vasectomia adaptada. Assim, reduzimos substancialmente os custos do procedimento, já que nos machos a técnica é mais simples, viabilizando financeiramente o procedimento, entendendo que o controle reprodutivo ainda ia ser alcançado com eficiência. Fato este que ocorreu!

O trabalho iniciou-se em 2011, com uma população de capivaras de 180 animais e hoje, quatro anos depois, logrou-se a diminuição de 67% da população, estimada em outubro de 2015 em apenas 60 animais.

O trabalho foi conduzido com as devidas licenças ambientais, dentro das melhores técnicas de manejo, muitas delas desenvolvidas pelos técnicos da ZOOVET.

Os animais eram capturados prioritariamente pelo método da captura passiva,  com o uso de armadilhas específicas para captura das capivaras em grupo. Os animais eram então anestesiados com o uso de dardos anestésicos, sem causar estresse aos animais, marcados, identificados, tratados com carrapaticidas de última geração e coletado material biológico para teste de febre maculosa, exames estes ainda sendo realizados por nossa parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Captura e Manejo de capivaras: (1) Captura de grupo familiar; (2) Separação de animais marcados; (3) Anestesia de capivaras   nao marcadas; e (4) Cirurgia de vasectomia de capivara

Captura e Manejo de capivaras: (1) Captura de grupo familiar; (2) Separação de animais marcados; (3) Anestesia de capivaras não marcadas; e (4) Cirurgia de vasectomia de capivara

Alguns animais foram capturados pelo método de captura ativa, com dardos anestésicos projetados a distância por zarabatana ou projetor pneumático. A captura ativa é sem dúvida a técnica que demanda maior expertise da equipe já que qualquer erro pode ser fatal aos animais visto que as capivaras tem o mergulho na água como técnica de fuga. Ainda assim é  de grande importância para a captura já que há animais que não entram em armadilhas. Nenhum animal veio a óbito durante a captura ativa.

Captura Ativa de Capivaras: (1): Estabelecimento da estratégia de ação;  (2) Aproximaçao e alvejamento do animal; (3) Capivaras anestesiadas; e (4) Procedimentos iniciais realizados no local

Captura Ativa de Capivaras: (1): Estabelecimento da estratégia de ação; (2) Aproximaçao e alvejamento do animal; (3) Capivaras anestesiadas; e (4) Procedimentos iniciais realizados no local

Os machos ainda não operados eram então encaminhados a uma “base” de atendimento veterinário instalado nas imediações da lagoa, para que tudo fosse realizado o mais breve possível. Com todo o equipamento veterinário cirúrgico móvel no local, eram então realizadas as cirurgias de vasectomia com uma adaptação da técnica tradicional utilizada em outros animais, já que os testículos das capivaras são internos. Tudo ocorreu dentro do esperado! O condomínio continua com as capivaras, agora em número reduzido, convivendo em respeito mútuo.

 

Captura ativa de capivaras. (1) Identificaçao de animais nao marcados; (2) Anestesia de capivaras com uso de zarabatana; (3) Observação de capivaras anestesiada; e (4) Retirada de capivara anestesiada

Captura ativa de capivaras. (1) Identificaçao de animais nao marcados; (2) Anestesia de capivaras com uso de zarabatana; (3) Observação de capivaras anestesiada; e (4) Retirada de capivara anestesiada.

MAS POR QUÊ NÃO EXTERMINAR AS CAPIVARAS?

Vamos analisar pelo ponto de vista de direito dos animais, ambiental e saúde pública, os três principais círculos em interseção que a relação homem-capivara ocupa:

1)      Direito dos animais: a UNESCO, em 1978, já publicava sua Declaração Universal dos Direitos dos Animais, onde no seu primeiro artigo manifesta: “Todos os animais nascem iguais diante da vida, e têm o mesmo direito à existência”. A humanidade caminha então cada vez mais no reconhecimento que os animais são seres sencientes, sentem, portanto dor, felicidade e angustia, entre outros sentimentos. É obvio, portanto, que por respeito aos animais, a eutanásia não é o caminho.

2)      Ambiental: A nova constituição brasileira, ainda sob os calores pós-ditadura, em 1988, considerou a proteção a fauna e flora em seu artigo 225, §1, inciso VII, declarando que o poder público deve: “Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”. Outrossim, a Lei de Crimes ambientais (Lei 9605/1998), em seu Art. 32 prevê: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: detenção, de três meses a um ano, e multa”. Portanto, as capivaras estão protegidas por leis ambientais e não podem ser exterminadas.

3)      Saúde Pública: No ano de 2014, executamos pela EQUALIS AMBIENTAL, a captura e coleta de material biológico de capivaras para diagnosticar a presença de Ricketssia ricketssi na orla da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte-MG, sendo a decisão da destinação das capivaras de responsabilidade dos técnicos da Prefeitura da capital, conforme contrato. Na ocasião, participamos de diversas reuniões no Ministério Público Estadual de Minas Gerais com a presença de especialistas de todas as áreas, entre elas, em epidemiologia, para discutir esta questão. O artigo científico de referência foi de Souza et al (2009) que, resumindo, mostrou que uma capivara infestada por febre maculosa, dificilmente transmitiria a doença a outras capivaras ou pessoas. O problema são as capivaras que ainda não apresentam a doença já que estas, ao estar em uma região endêmica da doença, poderá contrair a febre maculosa de carrapatos infectados, e estes sim transmitirem a doença quando estiverem na ricketsemia (aumento da quantidade de bactérias no sangue que ocorre logo após a infecção) para pessoas e outros animais. Portanto, ao contrário do senso comum, o problema não são as capivaras positivas e sim as negativas à bactéria. Consequentemente, não adianta matá-las!

Soma-se a isso a experiência que adquirimos ao longo dos quatro anos em que trabalhamos com estes animais. Notamos que ao diminuirmos a população de capivaras, os carrapatos diminuíram em proporção semelhante. Parece obvio, mas isso jamais ocorreria em uma situação de extermínio súbito dos animais, como muitos defendem. Se retirarmos de uma vez as capivaras de determinado ambiente, os carrapatos que estão em grande infestação buscarão outros mamíferos para realizar seu repasto, como homens e cães, aumentando drasticamente a exposição destes a carrapatos infestados por diversas doenças, como a febre maculosa.

Por outro lado, em um processo de diminuição gradativa dos animais, como o desenvolvido pela ZOOVET no condomínio Nossa Fazenda, os carrapatos foram diminuindo na mesma proporção em que as capivaras eram controladas. De uma maneira didática, baseado em literatura científica,  sabe-se que 1 em cada 9 carrapatos apenas estão no animal, os outros nove estão no ambiente! Ou seja, se por exemplo tínhamos 100 carrapatos em cada capivara, no ambiente haviam 900 carrapatos para cada capivara (estes números são exemplos!). Se tínhamos 180 capivaras no condomínio, outros 90.000 (noventa mil) carrapatos estavam no ambiente. Ao diminuirmos as capivaras para 60 animais, a quantidade de carrapatos no ambiente diminuiu para 5.400 carrapatos! Evidentemente que é apenas uma teoria (baseada em literatura científica), mas algo semelhante percebemos na prática. Fato que muitos moradores e a própria diretoria do condomínio relata a diminuição drástica dos carrapatos.

Assim, usamos as próprias capivaras para diminuir a quantidade de carrapatos. ISTO É MANEJO ÉTICO DE CAPIVARAS! Ético por todos os lados!

Resumindo,tem “problemas” com capivaras? A solução não é exterminá-las nem retirá-las do local! Entre em contato conosco e deixe-nos apresentar uma solução ética e efetiva ao problema.

Palavras chave: manejo ético capivaras, controle reprodutivo capivaras, vasectomia capivaras, manejo capivaras.

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