CRIAÇÃO MANTENEDORA DE ANTAS

por Rayane Medeiros Vilaça, Bióloga da ZOOVET CONSULTORIA

Matéria publicada pela revista Mercado Rural – Junho de 2015.

A anta brasileira, de nome científico Tapirus terrestres é o maior mamífero terrestre neo-tropical, com ampla distribuição pelo país, presente também na Venezuela, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Guiana Francesa, Suriname, Paraguai e Norte da Argentina. O animal pode ser encontrado em ambientes abertos e florestais, como no Pantanal, na Amazônia e no cerrado. De hábito solitário, pode ser visto à noite ou ao entardecer, normalmente perto de cursos d’água.

Uma curiosidade sobre esta espécie de anta é que ela defeca habitualmente em um mesmo local, chamado de latrina, ou em lugares próximos à água, onde também toma banhos de lama para se refrescar e proteger sua pele contra ectoparasitas, como moscas e mosquitos. O animal adulto pode chegar de 77 a 108 cm de altura, pesando entre 150 a 300 Kg. É herbívoro, alimentando-se de uma variedade de frutos, além de gramíneas rasteiras, taquaras, plantas aquáticase bromélias. O mamífero atinge a idade reprodutiva após dois anos de idade, com uma gestação de duração aproximada de 400 dias, produzindo apenas um filhote, o qual nasce pesando, em média, 5 Kg.

Essa longa gestação, associada à destruição das matas e à caça predatória, fizeram com que a anta brasilera seja considerada, atualmente, uma espécie ameaçada de extinção. A melhor estratégia de conservação desse mamífero é, sem dúvida, a preservação do seu habitat, no entanto, muitos animais não podem mais viver em ambientes livres, sendo resgatados de caçadores, tráfico ou atropelamentos.

Diante de tal quadro, surge o questionamento: o que fazer com esses animais? Aí é que entra o criador “mantenedor de fauna silvestre”. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) publicou no dia 30 de abril deste ano a Instrução Normativa N° 07, que regulamenta o registro de pessoas ou empresas que queiram receber tais animais, oferecendo um ambiente adequado, alimentação balanceada e tratamento veterinário. Cabe salientar que, apesar da normativa ser federal, o registro deverá ser realizado no órgão ambiental estadual, já que a Lei Complementar 140/2011 atribuiu aos estados a função de registro dos criatórios de fauna silvestre.

Criação Legalizada

Para iniciar um criatório de antas é necessário, primeiramente, procurar uma empresa ou técnico especializado no manejo de fauna em cativeiro. Assim, um projeto técnico será elaborado com as plantas construtivas, manejo dos animais, alimentação, memoriais descritivos, e todas as informações e documentos solicitados na IN 07/2015. Normalmente, a empresa se responsabiliza também por toda a tramitação no órgão ambiental, cuidado, assim, de toda a parte técnica e burocrática.

O recinto deve contar com uma área de manejo, onde os animais são alimentados e também onde são realizados os procedimentos veterinários. O mesmo deve ser de fácil higienização, com área para banho de sol, proteção contra intempéries e corredor de segurança com portas duplas. A ambientação do local também é importante, tanto em termo do paisagismo do criatório, como para o bem-estar dos indivíduos. Árvores podem ser plantadas, para oferecerem sombra aos animais, e é essencial que haja um tanque para que o animal possa nadar e ficar submerso. Para fins de cálculos, deve-se estimar, no mínimo, 4m² por animal de área de tanque.

A alimentação das antas em criatórios tem como base a ração para equinos, feno e vegetais frescos, incluindo frutas, gramíneas e leguminosas, tudo balenceado por um profissional experiente em nutrição animal. Os alimentos devem ser oferecidos sempre no mesmo horário e dentro da área de manejo, de maneira que os animais se acostumem a entrar no local. Vale ressaltar que o manejo da anta precisa ser realizado por uma equipe treinada, e a captura, quando necessária, nunca deve ser efetuada de forma estressante. A contenção é feita, preferencialmente, utilizando-se técnicas de condicionamento animal ou, se necessário, com o uso de zarabatana, tornando o procedimento seguro tanto para o animal quanto para a equipe.

Ao receber os animais no criatório, é necessário que os mesmos sejam mantidos por um período de avaliação clínica (quarentena). Quando introduzida nos recintos com outros animais, as antas precisam ser monitoradas, devendo o local possuir uma área de refúgio, reduzindo os riscos de possíveis brigas entre os indivíduos. Tomando-se os devidos cuidados, a criação de antas realizada com respeito ao meio ambiente e aos animais, é uma atividade relativamente segura e solidária, uma vez que se presta a oferecer um lar a animais que, porventura, não tenham total segurança e condições de retornarem à natureza.

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